Esta crónica é aqui merecida há já uns meses(mais concretamente desde Agosto), mas o tempo era curto e tive de a editar através de vários drafts guardados de tempos a tempos (para não ir perdendo o fio à meada). Sem demoras, cá vai a crónica e ficam as saudades...
Há já uns anos que me convidam para ir a Caminha...
Lembro-me do cromo olímpico, que dizia "epá, de manhã pra mim só na caminha", e chego à conclusão que para mim também poderia servir o mote, se fosse para descansar. Mas não caminha de dormir...antes, Caminha.
Ao fim de uns anos lá acabei por aceitar o convite do I. (um gajo tem de se fazer díficil).
Arranquei na quarta de manhã. Prego a fundo pela A1 lá fomos seguindo caminho (a caminho de Caminha). A pouco mais de 100 kms de caminho, levo com um calhau no pára-brisas ( calhau, ou o cócó de algum passarito que come muitas fibras ). Ganhei uma mira à estilo Top Gun mesmo à frente da minha linha de visão. Continuo a maratona (o GPS e alguém me diziam que demorava quatro horas) mas os kms iam passando a galope e o percurso durou aproximadamente 3 horas, descontando as habituais paragens para gasóleo, café e mija.
Chegámos pouco depois da hora de almoço, e depois do "rendez-vous", eu, a F., a J, e o I. já iamos a caminho da praia. Pelo sim pelo não, levámos duas malibus e a minha prancha de bb. A fome não apertava, mas fazia-se sentir, por isso, fomos a Moledo a uma esplanada típica comer umas tostas. A dita esplanada é um dos ex-libris da zona ( para gente jovem ) onde se encontrava gente gira e pratos bizarros. Foi-me recomendada uma tosta Toninho Fângio, mas preferi experimentar uma outra com presunto e queijo. Estive perto de 10 minutos a olhar para a lista dos pratos rápidos... os nomes eram de partir a rir, e a escolha de alguns ingredientes, pelos vistos, também. Ficou-me na memória um dos petiscos da lista: "Alminhas de Merda" - e sim... isto é transcrição directa. O nome era bizarro.... o prato ainda mais.... Aparentemente eram uns pãezinhos com manteiga, açúcar e canela... quem gosta disto????
Seguimos para a praia de Arda ( ou Bico de Afife ). Ao que parece esta praia está sucessivamente a mudar ou a ganhar nomes. O nome Bico de Afife nunca me faria lembrar uma praia, mas pronto.
Chegámos ao spot e fomos pousar as tralhas. Pra mal dos pecados do I. lá decidimos ficar mais perto da duna do que da água. Mas como o ventinho era fresco e a água sim, gelada, ainda bem, ou morríamos de frio. Seguimos a pé pela praia pra dar uma mirada nas condições de surf. A areia acabava em degrau perto da água ( ao estilo da Praia Grande ) e a rebentação criava pequenas explosões de água ao embater na areia. O mar não estava grande, e as ondas estavam moles. Pelos vistos íamos surfar mais ao fim do dia, quando a maré baixasse e as ondas cavassem mais. Nesta altura estavam perto de 10 surfistas dentro de água. Invariavelmente como de todas as vezes que vou surfar um spot desconhecido, melguei o I. até à morte com perguntas sobre as correntes, os sets, o pico, a onda, o pé, a mão, o cão, o gato, etc. etc. Sempre que vou surfar em praias novas fico ansioso e com vontade de ir à casa de banho. Lá pegámos na tralha e entrámos. Neste momento o número de surfistas tinha já quadriplicado. Entrei por um canal ( a onda é de pico ) e segui pro outside. À minha volta, surfistas e bodyboarders, nacionais e estrangeiros de todas as idades ( o mais velho bb deveria ter perto de 50 e picos). Com um crowd destes seria de esperar que não conseguisse apanhar nada, mas pelo contrário, apanhei ondas bem porreiras e curti que nem um animal.
A tarde já ia no fim, e era hora de voltar aos aposentos. Depois de um banho quente, fomos a pé até ao restaurante. ( enfatizo a pé... habitualmente cá na Mouraria, não andamos perto de 2 kms para o restaurante...), mas lá pelos Nortes, é costume, ainda mais quando os anfitriões são dois fanáticos do fitness ( fanáticos, no bom sentido, claro ). A caminhada, embora contra minha vontade, foi bem agradável e serviu bem o propósito de criar apetite extra. Chegámos à pizzaria (tipicamente italiana, com o dono chamado Michelle e pessoal a emborcar vinho e bagaço ao balcão). O I. e a J. são habituais da casa, pelo que a recepção do senhor foi : " Hoje não há mesa pra ninguém f*d*-s*... têm de esperar ". Ok, nós esperamos...
Sentámo-nos na esplanada, mentalizados para uns martinis pra matar a hora de espera quando
o senhor chega e nos arrasta lá para dentro. "Tudo lá pra dentro, c*r*l*o". Não consegui deixar de prestar atenção ao sotaque carregado do senhor... daqueles que falam axxxim.... ó caraxas.
Ao sentarmo-nos, o I. conta que aquilo é habitual, que ele é mesmo assim.... Pelos vistos havia ainda um mundo por descobrir naquela pizzaria... As entradas, os pratos, o vinho e as sobremesas eram excelentes, e no meio de todo aquele "mau feitio", o senhor ainda arranjou tempo para beber uma taça de branco connosco, "car**ho". Jantar comido, seguimos para o centro para beber uns copos nos bares locais. O cansaço também já apertava e era hora de ir dormir. Xixi e cama.
Acordamos de manhã e vamos até à cozinha... o serviço parecia de hotel ( :) ).... a J. tinha madrugado e entretanto preparado o pequeno-almoço para todos... Iogurte, sumo, bolinhos, fruta. De barriga cheia, seguimos viagem até Espanha. Pelo caminho passámos em Tui, num outlet muito porreiro, onde ao tentar comprar umas calças na Desigual, a empregada me chagou a cabeça até mais não por não trazer comigo o BI... vicissitudes de usar multibancos para pagar no "estrangeiro".... se fosse VISA já não havia problemas... enfim... é o que dá ir para países fora da zona Euro...
Seguimos caminho até Vigo, onde passeámos pela cidade, e almoçámos uns bifinhos maravilhosos num restaurante numa das avenidas. Voltas e voltas, lá fomos andando e tirando fotos. Houve um momento em que precisámos de cigarros e pensámos que Espanha tinha abolido o fumo... pura e simplesmente não se vendiam em lado nenhum... numa pequena loja ( daquelas que um gajo chama de tabacarias cá em Portugal, e que vendem revistas e pequenos bibelots), tivémos o azar de perguntar ao senhor se vendia tabaco... ui.... o homem ficou à rasca, como se nós procurássemos um rim humano, ou algo mais ilícito ainda e mandou-nos à fava. Lá acabámos por encontrar os malditos cigarros numa loja do grupo "Tabaqueria"... que pelo aspecto e dificuldade de encontrar, mais parece ser controlada pelo governo e ser uma operação "undercover".
Fizémo-nos à estrada de regresso a Portugal ( porra, pelo menos cá até um puto de 9 anos compra tabaco...se for esperto, claro ;) ). A volta foi pela costa, passando por Bayona, A Guarda, e apanhando o "ferry" para Caminha. A travessia do Rio Minho pelo ferry foi espectacular, a paisagem era literalmente "breathtaking". Para o jantar, decidimos não levar com o "mau feitio" do "italiano" e a J. preparou afincadamente uns petiscos. A moral estava em alta, mas o corpo cansado, por isso, em vez de sairmos, eu e o I. acabámos por abrir umas garrafitas de verde e ficámos na conversa pelo terraço. Xixi e cama.
Sexta-feira começa cedo, com a promessa de praia. O tempo estava bom, o sol fazia-se sentir, e embora fosse dia de partida, ainda dava para aproveitar. Seguimos para o belo Bico de Afife, munidos de chapéus de sol. A J. ( que tinha vindo à praia directamente do trabalho), trazia a ferramenta mais importante para a praia.... os corta-ventos. Ainda tentámos arranjar um spot, mas o vento era forte e acabámos por procurar praia noutro lado. Fomos em direcção a Vila Praia de Âncora, a terra natal do célebre autor da "garagem da Vizinha". Parámos em Viana do Castelo e lá fomos à praia. O vento era forte, mas o sol também, por isso, com os corta-ventos, lá conseguimos arranjar um spot na duna. Na água ( que estava a uma temperatura excelente ), estavam perto de 30 kite-surfers e meia dúzia de wind-surfers. Era impressionante a quantidade de manobras e a elevação dos saltos que aqueles meninos do kite faziam...
Acabada a sessão de solário, lá seguimos para a famosa esplanada em Moledo ( sim, a tal que serve as "alminhas de merda" ), onde eu e o I. nos enchemos com umas canequitas e umas "Diz que é uma espécie de francesinha".
Findo o almoço/lanche, lá estava a tarefa mais dura... arrumar as tralhas e fazermo-nos à estrada em direcção à Guarda, onde outro casal de amigos nos esperava para o fim de semana.
Os melhores momentos passam sempre num ápice, e estes três dias não foram excepção. Por tudo teria ficado mais tempo. Pelo reencontro de amigos, pela hospitalidade, pela praia, pelo surf, pelas paisagens... enfim, por tudo.
Fizémo-nos à estrada com a promessa de repetir (quem sabe para o ano) e, entre o cansaço e a vontade de não ir embora, levámos connosco uma boa dose de recordações.
I. e J., cá vos esperamos na Mouraria.
Something from New York
Há 4 semanas
Que saudades das férias....F.
ResponderEliminarForam dias muito bons...e só mais dias pra tornar a experiência ainda melhor...aquele spot funciona ai uns 350 dias por ano...1 surfada não da pra conhecer! Proximo somos nos...ha tt spot ai em baixo que nunca surfei que pra essas bandas quase nem posso dizer que sou surfista!
ResponderEliminarAbraço e até breve! I.