Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

alienação juvenil

A imagem aqui do lado, deve ter sido das mais comentadas nos últimos dias nas redes sociais ( ou talvez até não, mas eu ando um bocado alheado da rede e presumo que tenha sido). De qualquer das formas apeteceu-me falar sobre isso e sobre um episódio acontecido hoje à hora de almoço.
Fui almoçar ao Vasco da Gama e depois da refeição rápida, apeteceu-me fumar um cigarrito. Fumei um cigarro e constatando que só tinha mais um no maço, fui comprar mais. Entrei na tabacaria do ultimo andar e meti-me na fila para o balcão. Enquanto estou na fila, reparo num anormalóide como este aqui ao lado, que entra na loja com a mãezinha. A moda do bicho era a actual dos jovens urbano-depressivos... nos trâmites emo/skate/newmetal/indie/urban/hipcool. Whatever.... era a bela da calça justa coçada do sol, com a cintura a roçar as rótulas dos joelhos, seguida de boxers coloridos a combinar com o figurino, uma sweatshirt hoodie de uma qualquer côr berrante e uns ténis paneleirosos. Ah... esqueci-me do belo do bonézinho de uma marca qualquer de urban/surf/skate wear e da franjinha linda a escapar pelo boné enquanto se olha o mundo de cara descaida para o lado esquerdo e com semblente deprimido. Na primeira vista deste exemplar, deu-me um súbito vómito. Controlei-me e não lhe vomitei em cima, até porque seria uma chatice para a senhora da limpeza da loja que não teria culpa nenhuma de permitirem a entradas destes ignóbeis no centro comercial. À segunda olhadela, o que me chamou à atenção e perturbou foi o olhar vazio e alienado daquela criatura. Ok, eu não sou propriamente um exemplo de alegria pública e cortesia para os estranhos, mas o puto tinha um olhar simplesmente vazio... nada ali mexia. Ok, colocando-me no papel dos velhotes que outrora critiquei, dei por mim a pensar "que caca de geração nos precederá... " e que tendências de moda tão aberrantes. Voilá. Eis que chega a minha vez de ser atendido e me aproximo da senhora do balcão pra lhe pedir 4 marlboros. Pago com cartão, como de costume. Enquanto digito o código, a senhora mãe do anormalóide, puxa-o por um braço e encaminha-o para o balcão enquanto que em tom de seca lhe diz " Vá, pede lá à senhora o que queres....despacha-te".

- NOTA DO AUTOR - nunca ousaria relatar esta história se porventura o dito puto indiciasse alguma espécie de atraso mental ( o real mesmo - não o literal/figurado/hiperbólico ).

O puto (falamos de um sujeito com perto de 16 anos, estatura franzina, mas definitivamente nenhuma criancinha!) aproxima-se da senhora do balcão que prontamente lhe diz boa tarde. O puto ignora-a. O balcão tinha mais ou menos metro e meio de espaço útil. Eu ocupava naquele momento perto de meio metro do lado direito onde se situava o terminal multibanco, tendo o puto aproximadamente um metro para se dirigir confortavelmente à senhora. Sem murmurar nenhuma palavra, aponta para a montra para um amontoado de boosters de Yu Gi Oh enquanto me empurra/se encosta levemente. Eu fico a olhar para o puto, em vão, porque o animal mantinha a tromba inclinada e em direcção ao chão. Obviamente a senhora do balcão não percebeu e pergunta-lhe o que quer novamente. O puto levanta a cabeça meio de lado e lá diz em tom arrogante mas tipo a falar para dentro : " Quero ver os boosters de Yu Gi OH! versão azul, série qualquer coisa", enquanto continua a exercer alguma leve pressão sobre o meu flanco esquerdo. Eu viro-me para o puto : "Desculpe, precisa de mais espaço?". O puto olha, não diz nada e entretanto afasta-se e agarra-se aos boosters que a senhora do balcão lhe deu. Eu engulo em seco e contrario a vontade de lhe espetar um banano na tromba e de seguida espancar a mãezinha do menino, que entretanto assiste ao espectáculo impávida e serena, como se ter um puto sem deficiências de qualquer tipo, mas completamente alienado fosse a coisa mais natural do mundo.

Onde vamos parar, a continuarmos desta maneira? A educação, os valores cívicos já foram pelo cano há muitos anos e não vejo forma de os recuperar. Já não se passam valores? Eu tento fazer a diferença, os meus amigos tentam fazer a diferença, e caraças, ainda existe muita gente bem formada por cá, mas o preocupante é que cada vez são menos! E voltamos ao paradigma relatado no filme Idiocracy . Os mais burros reproduzem-se como coelhos... os mais aptos nem por isso... qualquer dia anda tudo com phones nas orelhas a ouvir uma mensagem em loop " Inspira, expira....inspira.....expira..." a beber cocacolas e a comer bigmacs.

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