Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

prioridades

Já perdi a conta às histórias de indignação que tenho ouvido desde o passado domingo eleitoral. Já ouvi/li de tudo, desde:

- epá, eu queria mesmo votar e esse direito foi-me negado!!!

- se não tivessem negado o voto a muitos portugueses, o Cavaco talvez não tivesse sido re-eleito

- queixam-se da abstenção, mas depois quando a malta quer votar não há como

- isto do simplex é uma treta autêntica, onde já se viu isto acontecer

- fui fazer o CC e não me disseram que não dava para usar na mesa de voto.

Primeiramente, tenho de concordar que o sistema de cartão único podia funcionar melhor ( nomeadamente a nível da filiação, número de eleitor, etc ). Ainda assim, o absoluto falhanço podia ter sido contrariado de forma muito simples:

hipótese A)
Nas juntas de freguesia, as listas elaboradas com os eleitores podiam, por exemplo, ter sido ordenadas por nome ( e sim, haveriam muitos duplicados, mas então usar-se-ia um número de BI/CC pra validar) = um indivíduo chegava à mesa de voto, dizia o nome.

hipótese B)
As pessoas faseada e antecipadamente iriam consultar ou pedir a alguém para consultar (tipo Junta de Freguesia) o seu número de eleitor e apontavam esse número num papel.

A parte do mau funcionamento dos organismos públicos/ao serviço do cidadão já é uma constante, por isso acho que podemos automaticamente excluir a hipótese A). Então o que resta? Resta as pessoas tirarem o rabo da cadeira e cuidarem dos seus interesses(?).

As pessoas guardam tudo para a última da hora ( e sim, eu não sou excepção), mas há que definir prioridades. Prioridades...

Lembro-me de ver nas noticias pessoas a pernoitar à porta de bilheteiras para comprar bilhetes para os U2, lembro-me de ver pessoas a pernoitar em tendas à porta do IKEA pra receber um sofá de borla, lembro-me de ver pessoas n horas nas filas para comprar bilhetes pró Benfica. Há bem pouco tempo, vi nas notícias pessoal a esperar à porta da Desigual no Dolce Vita Tejo em ROUPA INTERIOR durante 10 horas para receberem umas calças e uma t-shirt de borla...

Mas que palhaçada vem a ser esta?

Não digo que tenha sido o total, mas acredito mesmo que muitos dos que não tenham conseguido votar no domingo à pala do CC tenha sido apenas porque não se prepararam antes. Era difícil ter consultado o número de eleitor uma semana antes? Era pedir muito? Pronto vá - dois dias antes? - um dia antes? Não... como o voto é uma "obrigação" e é uma seca, então vamos pra lá em cima da hora e depois reclamar que não conseguimos porque nos "sabotaram" o direito. Ganhem juízo.

Eu tenho o meu cartão de eleitor comigo ( ainda vale), mas como me deu a preguiça de o ir buscar ao escritório, acedi à net e consultei o número em 2 minutos. Depois foi só chegar à mesa de voto e dizer o número. Foi bastante fácil, simples(x). Agora como é óbvio, quando n mil pessoas estão a tentar aceder ao mesmo tempo, aquilo vai abaixo como qualquer site. Quando nem sequer se faz isso e se vai directamente ao local de voto, então ainda pior porque como é óbvio a fila será interminável (já para não falar que as urnas abrem cedo... não abrem só às 4 da tarde).

Se fosse preciso activar um cartão famelga pela net cinco dias antes para depois ter um desconto de 3% nas bases para copos no Incontinente, o pessoal estava todo lá na boa...tudo na fila...tudo com antecedência. Mas que merda de prioridades são estas?

Isto já mete nojo. Toda a gente a queixar-se sempre por tudo e por nada. Caminhem sozinhos, façam alguma coisa por vós. Dependam menos. Porque ainda esperamos que venha alguém salvar-nos ?

Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

bolo rei sem brinde

Ontem "muitos" de nós cumpriram o que a meu ver é uma obrigação. Ah, e tal, é um direito fundamental... pois claro que é, mas a meu ver é principalmente uma obrigação de emitir opinião. Não escolhes? = alguém escolhe por ti. É tão simples quanto isso.

Digo "muitos" de nós, porque obviamente o candidato que "ganhou" foi a abstenção.

Pessoalmente, foi um alívio ter acabado a comédia que presenciámos durante as campanhas :

- o tecnocrata messiânico a repisar o facto de o governo não lhe ter dado ouvidos e a instigar o "medo dos mercados"

- o poeta e o seu milhão de eleitores a mandar lama para cima da concorrência enquanto tenta esconder uns rabos de palha (publicidade vs exclusividade)


- a praga de médicos que (de repente?) se lembraram de virar para a política


- o candidato e a sua coelha


- o candidato da cassete gravada
(acordem prá vida = gravem essa treta em mp3 s.f.f. e metam podcasts)

É giro que nestas campanhas, o único "palhaço" que eu estava disposto a ver/apoiar/dar algum crédito e incentivar a iniciativa era o Vieira. E tenho realmente pena de ele não ter reunido as assinaturas, mas pelos vistos parece que prontamente outros 5 indivíduos o substituíram, e assumiram o papel de "palhaço" para eles próprios.

Aliviado por ter acabado o massacre(via comunicação social) constato que invariável e infelizmente ainda temos de levar com mais n horas de especulação mediática, seja porque o Presidente eleito é isto, ou porque a direita está a afiar as facas para aquilo, ou porque a esquerda assado. Argh...produzam notícia, não produzam sensacionalismo = vão vender jornais para o raio que os parta.

Voltando ao bolo-rei - este ano é sem brinde, e com uma fava gigante. Não lamento o facto de Cavaco Silva ter sido eleito, mas lamento sim profundamente ele ter sido, a meu ver, a única opção real a considerar no boletim de voto. Com a política como está, os políticos como estão, e o povinho como está, temos a fórmula perfeita para vendermos (e a preço de saldo) esta bandalheira a que se chama País, aos estrangeiros.

E por falar nisso: foi só impressão minha, ou os chineses estavam bem atentos ao acto eleitoral de ontem? É bem: têm os olhos em bico mas são prudentes, e de certeza que não querem comprar gato por lebre, embora neste caso eu ache que eles vão levar barretada.

Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

veni vidi vici


Não... este post não é para falar da saída do JEB e da "crise" do Sporting... eu de futebol não percebo nada, e muito menos me dou ao trabalho de comentar ou falar sobre isso.

Ontem descobri que me livrei da cadeira de Auditoria Financeira. Custou mas foi. Depois da "saga" relatada aqui, lá acabei por passar à cadeira.


Resta-me dedicar, a título de mesquinhez esta imagem leonina aos seguintes ilustres:

- ao instituto [pela forma como as instalações deste semestre supriram as necessidades]
- ao coordenador [pela forma com o tachinho rendeu bastante a troco de encher chouriços]
- ao regente da cadeira [pela forma como não se adaptou a um mestrado pra CONTABILISTAS]
- à cadeira de auditoria [pelo cariz macarrónico, denso, e absolutamente inútil para os alunos]

Continuo a não perceber como este Mestrado alguma vez viu a luz do dia, principalmente tendo em conta o que se faz noutras instituições do género, mas acima de tudo não posso culpar ninguém a não ser eu próprio por me ter inscrito. Tendo sido a minha primeira experiência, a nível de ensino superior, em escola pública, infelizmente chego à conclusão de que com sistemas destes não é de admirar que este País esteja como está.

Tende-me o pensamento para o futuro que se avizinha: bébés mimados com 21/22 anos, licenciados E mestres, com zero utilidade prática (mas com pretensões e "graus" de quadros médios/superiores) num mercado de trabalho composto maioritariamente por uma procura de pessoal mal qualificado e mal pago. Isto a juntar ao problema das calças descaídas....uiui....coitados dos putos ( ou de nós, que os vamos aturar).

Sexta-feira, 7 de Maio de 2010

bengalas do povo

A vinda do Papa Bento 16 ( escrito assim parece uma cena à hiphop ou à cristinao ronaldo7/9), tem estado a gerar polémica, desde que foi inicialmente anunciada. Toda a crítica pendeu sobre o facto de sermos um Estado laico, ou por dispendermos dinheiro público neste evento, ou porque estávamos a oferecer férias "à borla" para os funcionários públicos, ou mesmo até porque era uma desconsideração pelas restantes religiões. Hoje de manhã já ouvi alguma pérolas da inteligência a proferir coisas tais como:
"Tá tudo a dizer que é dinheiro mal gasto na vinda do Papa, mas ninguém se queixa quando vem um chefe de estado de outro país, por exemplo os Estados Unidos". ou

"Ninguém se queixou com o dinheiro gasto no futebol"

ou

" O santo padre vem trazer a mensagem do nosso deus, a mensagem de amor, a mensagem de esperança... e não há dinheiro que pague uma bênção destas".....

WTF?

Neste blog eu queria ter mensagens "cool", e reflectir estados de espírito resultantes de boas surfadas e de bons momentos, mas parece que rapidamente vou transformá-lo no chorrilho de acidez verbal que era o extinto "nobodylikeus".

Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

plágio ou inspiração ?

Isto é sempre assim... ou não se escreve meses a fio, ou o tempo abunda e se escreve até cair para o lado...

Raros foram os posts em que usei imagens para realçar o que escrevi.

Recentemente descobri um blog de humor negro ( se não fôr, as minhas desculpas ao autor, mas assim o interpreto ), e após percorrer n posts, constatei que me agradou bastante a diversificação visual através de imagens que ajudam a passar a mensagem dos textos. Gostei tanto, ao ponto de querer fazer o mesmo. Agora aqui reside o dilema: plágio ou inspiração? Num mundo em que tudo circula à velocidade da luz, nada sobrevive intacto sem ser copiado/plagiado/adaptado. Numa busca das melhores práticas que proporcionem a melhor experiência de leitura possível, assim irei tentar colocar imagens alusivas ao tema em cada post.

Porque obter inspiração é normal, também é intelectualmente honesto divulgar a fonte. E assim,

http://pedeaosemen.blogspot.com/


Recomendo a leitura. Os posts são longos mas consistentes e parti-me a rir com o conteúdo e as formas de expressão nalguns deles. Os mais sensíveis com as caralhadas que se lixem ;)

troféu


Tal como relatado anteriormente, chumbei a uma cadeira do mestrado, mais concretamente a Auditoria Financeira. Independentemente de reconhecer bastante valor ao Professor, não deixo de pensar que ele se divertia à grande em leccionar esta cadeira num Mestrado de Contabilidade para contabilistas em que se abordavam assuntos "top-notch" da auditoria, especialmente a nível prático. Já o estou a imaginar em casa enquanto folheava umas quantas ISAs a partir-se a rir a pensar o quão entalados estariam os seus alunos (contabilistas) ao levar com os seus exercícios práticos no exame.

Tudo bem até aqui. Gostei do Professor, independentemente de me ter chumbado, independentemente de ser um daqueles à velha guarda de nariz empinado, independentemente da incoerência entre as horas de prática ensinadas (zero) e o teor prático (extremo) dos exames.

Gostei dos princípios e do rigor do Professor, mas igualmente o achei um sádico que mais prazer tirava de ver um aluno a ter 7 do que 20. Há umas semanas ouvi o rumor de que o Professor se ia reformar. A cadeira começa novamente em Setembro e ele não estará lá para a dar.

Independentemente de ter gostado deste Professor, não deixa de me dar gozo o facto de ele não ir ter o gostinho de ver os "repetentes" a esforçarem-se novamente e a deleitar-se com o "sofrimento" dos alunos. Por isso, hoje lhe dedico o mais almejado troféu... a bicicleta sem selim.


E agora? Quem irá continuar a saga de sadismo?grrr.....mais um revisor oficial de contas....

alienação juvenil

A imagem aqui do lado, deve ter sido das mais comentadas nos últimos dias nas redes sociais ( ou talvez até não, mas eu ando um bocado alheado da rede e presumo que tenha sido). De qualquer das formas apeteceu-me falar sobre isso e sobre um episódio acontecido hoje à hora de almoço.
Fui almoçar ao Vasco da Gama e depois da refeição rápida, apeteceu-me fumar um cigarrito. Fumei um cigarro e constatando que só tinha mais um no maço, fui comprar mais. Entrei na tabacaria do ultimo andar e meti-me na fila para o balcão. Enquanto estou na fila, reparo num anormalóide como este aqui ao lado, que entra na loja com a mãezinha. A moda do bicho era a actual dos jovens urbano-depressivos... nos trâmites emo/skate/newmetal/indie/urban/hipcool. Whatever.... era a bela da calça justa coçada do sol, com a cintura a roçar as rótulas dos joelhos, seguida de boxers coloridos a combinar com o figurino, uma sweatshirt hoodie de uma qualquer côr berrante e uns ténis paneleirosos. Ah... esqueci-me do belo do bonézinho de uma marca qualquer de urban/surf/skate wear e da franjinha linda a escapar pelo boné enquanto se olha o mundo de cara descaida para o lado esquerdo e com semblente deprimido. Na primeira vista deste exemplar, deu-me um súbito vómito. Controlei-me e não lhe vomitei em cima, até porque seria uma chatice para a senhora da limpeza da loja que não teria culpa nenhuma de permitirem a entradas destes ignóbeis no centro comercial. À segunda olhadela, o que me chamou à atenção e perturbou foi o olhar vazio e alienado daquela criatura. Ok, eu não sou propriamente um exemplo de alegria pública e cortesia para os estranhos, mas o puto tinha um olhar simplesmente vazio... nada ali mexia. Ok, colocando-me no papel dos velhotes que outrora critiquei, dei por mim a pensar "que caca de geração nos precederá... " e que tendências de moda tão aberrantes. Voilá. Eis que chega a minha vez de ser atendido e me aproximo da senhora do balcão pra lhe pedir 4 marlboros. Pago com cartão, como de costume. Enquanto digito o código, a senhora mãe do anormalóide, puxa-o por um braço e encaminha-o para o balcão enquanto que em tom de seca lhe diz " Vá, pede lá à senhora o que queres....despacha-te".

- NOTA DO AUTOR - nunca ousaria relatar esta história se porventura o dito puto indiciasse alguma espécie de atraso mental ( o real mesmo - não o literal/figurado/hiperbólico ).

O puto (falamos de um sujeito com perto de 16 anos, estatura franzina, mas definitivamente nenhuma criancinha!) aproxima-se da senhora do balcão que prontamente lhe diz boa tarde. O puto ignora-a. O balcão tinha mais ou menos metro e meio de espaço útil. Eu ocupava naquele momento perto de meio metro do lado direito onde se situava o terminal multibanco, tendo o puto aproximadamente um metro para se dirigir confortavelmente à senhora. Sem murmurar nenhuma palavra, aponta para a montra para um amontoado de boosters de Yu Gi Oh enquanto me empurra/se encosta levemente. Eu fico a olhar para o puto, em vão, porque o animal mantinha a tromba inclinada e em direcção ao chão. Obviamente a senhora do balcão não percebeu e pergunta-lhe o que quer novamente. O puto levanta a cabeça meio de lado e lá diz em tom arrogante mas tipo a falar para dentro : " Quero ver os boosters de Yu Gi OH! versão azul, série qualquer coisa", enquanto continua a exercer alguma leve pressão sobre o meu flanco esquerdo. Eu viro-me para o puto : "Desculpe, precisa de mais espaço?". O puto olha, não diz nada e entretanto afasta-se e agarra-se aos boosters que a senhora do balcão lhe deu. Eu engulo em seco e contrario a vontade de lhe espetar um banano na tromba e de seguida espancar a mãezinha do menino, que entretanto assiste ao espectáculo impávida e serena, como se ter um puto sem deficiências de qualquer tipo, mas completamente alienado fosse a coisa mais natural do mundo.

Onde vamos parar, a continuarmos desta maneira? A educação, os valores cívicos já foram pelo cano há muitos anos e não vejo forma de os recuperar. Já não se passam valores? Eu tento fazer a diferença, os meus amigos tentam fazer a diferença, e caraças, ainda existe muita gente bem formada por cá, mas o preocupante é que cada vez são menos! E voltamos ao paradigma relatado no filme Idiocracy . Os mais burros reproduzem-se como coelhos... os mais aptos nem por isso... qualquer dia anda tudo com phones nas orelhas a ouvir uma mensagem em loop " Inspira, expira....inspira.....expira..." a beber cocacolas e a comer bigmacs.