Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

a febre da (indi) gestão

Epístola de S. Ateu às Pedras da Calçada, 19:3,14

Sinais dos tempos... A gestão para muitos, é vista como a ciência social base para tudo, recorrendo a todas as outras áreas do conhecimento como ferramentas para os seus objectivos. Quais? os de gerir como é óbvio. Gestão é um termo caro para uma coisa que fazemos desde o primeiro minuto em que respirámos oxigénio.... gerir. Gerir, a meu ver, não é mais que comandar, orientar, manipular, forçar. No fundo, eu "giro" pode equivaler a "eu sigo o caminho que tracei" ou até mesmo a "eu quero, eu mando, eu faço". Porquê o ênfase em todos os termos finos e sofisticados como gestão estratégica, planeamento, visão, vantagens competitivas, etc, etc ? ( sim D., tens razão - tou a responder ao teu comentário )

No fundo a gestão, no abstracto é a tradução em termos práticos da vontade de alguém, do caminho que alguém traçou, do devaneio que alguém teve. Nesta óptica é completamente indiferente como tentamos "dourar a pílula" com termos caros e fundamentação académica. A gestão é, no limite, o controle e utilização dos recursos com vista a um objectivo. Há sempre quem acrescente "melhor utilização dos recursos que são escassos" e " para cumprir os objectivos estrategicamente delineados, com vista à melhor equação de eficácia e eficiência" ou até mesmo " cumprindo os melhores requisitos de sustentabilidade e governabilidade", ok isso são só decorações gramaticais. Tudo bem. Mas isto afinal traduz-se em quê?

Traduz-se na vontade de um homem. Ou de muitos. Seja ela boa ou má.

Lembrei-me agora de um filme que eu considero de culto ( Fight Club). Não estará na altura de, tal como se falava no filme, o Homem voltar ao patamar de caçador/recolector? Temos mesmo que levar com a treta dos 5 p´s da estratégia (plan, pattern, position, perspective, ploy) ou o meu equivalente: Puta que Pariu estas Parvoíces Potencialmente Perigosas ?


Para quem julgue que este post invalida o anterior, tirem o pónei da chuva, aqui contesto a forma e não o conteúdo. Mantenho o que escrevi, senão vejam:

Penso, logo desisto. Mas se assim é, posso planear desistir da melhor maneira possível, certo? ou da pior se me convier. Se calhar devo perder meia horita a pensar na melhor forma de desistir. Isto é pensamento estratégico.


PS: D. livra-te de discutir o que quer que seja de estratégia no fim de semana com uma garrafa de vinho à mesa. Isso dá sempre mau resultado... com divagações dessas ainda vamos parar àquela encruzilhada como o outro que tanto pensou, tanto planeou que chegou
à conclusão que era pai dele próprio.

Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

caminhos longos

Este blog versou durante o seu início sobre a bela da surfada... actualmente à falta de onda ( à minha medida ) e tempo, versa sobre o que quer que seja, nem que seja uma vez por mês.

Hoje apetece-me divagar um bocado. Mesmo correndo o risco de plagiar aqueles blogs da moda em que os pensamentos se traduzem numa descomunal verborreia na qual não se percebe nem conteúdo nem forma, cá vai:

Porque é que há pessoas que escolhem sempre o caminho mais difícil?

Quem me conhece, sabe que sou um gajo muito indeciso (eu prefiro dizer ponderado). A questão é que, dependendo do assunto a abordar e da urgência há que ponderar mais ou menos factores, arriscar mais ou menos, resumidamente, PENSAR mais ou menos.

Há uns tempos que tenho vindo a constatar que há pessoas na minha vida profissional que gostam de escolher sempre o caminho mais difícil. Não compreendo o motivo, e embora o questione, acabo por continuar a seguir viagem no mesmo barco e obviamente pelo caminho escolhido... o mais difícil, claro.

Lembro-me dos meus tempos de geek do magic the gathering, em que passava horas com os meus amigos de desgraça (magic) a fermentar ideias para baralhos invencíveis. O que habilmente fazíamos eram os chamados "brain storms", dos quais normalmente saíamos sempre entupidos de cigarros, cafés, uma boa dose de dores de cabeça e uma grande dose de novas ideias e "killer combos" pra usar nos "grandiosos" duelos que fazíamos. Questionando ou não a utilidade desses "brain storms", o que é certo é que deram frutos. Falando por mim, mas creio que por todos também, estas sessões de tempestades cerebrais deram bagagem para algum pensamento estratégico, ponderação e afins.

Gosto de brain storms... mesmo que o resultado final não seja nada, o cérebro sempre abate uns quilitos de gordura acumulada a ver novelas da tvi e recupera alguma agilidade.

Podemos sempre perguntar a nós próprios: Vale a pena perder 2 horas a idealizar um projecto e recuperá-las depois na execução ou poupamos essas 2 horas agora, decidindo num ápice para depois sangrar 5 minutos de tempo perdido de cada vez , ad eternum, ou eventualmente ter de abortar tudo e recomeçar de novo? Por mim, prefiro perder o tempo agora. E embora eu compreenda as motivações por trás do "para a frente é que é caminho!", prefiro o "para qualquer lado é que é caminho...", temos é que escolher o melhor.

Às vezes o tempo foge de tal forma que não temos tempo para pensar, mas no geral é melhor perder meia horita nisso.


Pronto(s). Já divaguei tudo. Agora já estou na moda, mas amanhã falo de ondas novamente.